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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mude - Clarice Lispector

...” Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais…
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…
outra marca de sabonete,
outro creme dental…
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!! “


CLARICE LISPECTOR

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ano Novo!

2011 começou! Mais um ano para renovarmos as esperanças e fazermos novos planos. Vamos passar mais um ano tentando colocar tudo que planejamos em prática. Essa é mágica do Ano Novo. Drummond conseguiu traduzi-la muito bem no poema abaixo. Aproveite o poema e o Ano Novo!!!!
Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

domingo, 14 de novembro de 2010

Era uma vez...

Ilustração: Marcello Araújo
Era uma vez uma cachorrinha muito alegre e assanhadinha.

Era uma vez um tal Marcelo que se achava muito belo.

Era uma vez um tal João que comia sorvete com feijão.

Era uma vez um cachorrão, enjoado, latidor e folgadão.

Era uma vez um palhaço, que só levava tombaço.

Era uma vez um sacristão, que tocava sino com o dedão.

Era uma vez uma professora, que teimava em ser cantora.

Era uma vez um safado prefeito, que dizia: Não tenho defeito!

Era uma vez um meu colega, que levou uma boa esfrega.


Era uma vez um músico italiano, que, com pé, tocava o seu piano.

Era uma vez um aloprado cientista, que passava xixi na vista.


Era uma vez um feioso estudante, que se dizia muito belo e elegante.

Era uma vez uma desajeitada menina, que misturava perfume com gasolina.

Era uma vez o famoso Chico Peão, que contou vantagem e foi pro chão.

Era uma vez uma tal dona Inês, que tinha cão listrado e gato xadrez.

E eu quero saber agora o resto destas histórias.

Conte de uma só vez, quando chegar a sua vez.
Poema de Elias José, ilustrado por Marcello Araújo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O analfabeto político

As eleições se aproximam.
Vale a pena começarmos a pensar no nosso papel e em como podemos usar o nosso voto em favor da valorização e do crescimento do Brasil, em contraponto a estes candidatos que tem se valido apenas da sua fama, sem nenhum compromisso social ou político.
Não diga que você não tem nada a ver com isso. Reflita! Veja o que Brecht escreveu sobre isto:

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

domingo, 18 de outubro de 2009

Poema de Cora Coralina


Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

POESIA

Compre! compre uma nova idéia.
Compre, uma nova alternativa.
Compra tu,
Compre ele,
Compremos todos nós.

Compre! compre algo, algo para ajudar.
Compre, algo a reciclar.
Compre, uma esperança, para nos salvar.
Compra tu,
Compre ele,
Compremos todos nós.

Não compres, algo que irá te estragar.
Não compres, algo que irá quebrar.
Não compres, algo que irá prejudicar.
Não compres!
Não compremos nenhum de nós.

Max